terça-feira, 18 de novembro de 2014

Vim, Vi e Menti.

Estamos impregnados pela mentira desde a concepção do feto: Quantas juras de amor eterno se dissiparam como nuvens após um resultado positivo de gravidez? Quantas crianças são içadas a órfãs paternas por suas mães ou vice-versa, com histórias embaladas nos seus ouvidos como se canções de ninar de formação ao repúdio familiar fossem? Quantas crianças possuem o pânico de dormir ou de serem abandonadas, porque os seus pais que não conseguem lhes dar limites, invetam figuras mitológicas aterrorizadoras para controlá-las numa zona de conforto sob o império do medo?


Apesar de educadores como Jean Piaget defenderem que grande parte do conhecimento e dos interesses que formaram a nossa personalidade, surgiram na interação do humano com o mundo dos sentidos, através do ato de brincar, atrevo-me a afirmar que os alicerces dessa interação são selecionados por adultos que vivem dentro de uma redoma persecutória de mentiras, um verdadeiro pega-pega, onde o custo emocional configurou uma legião de zumbis ansiosos e depressivos atrás de uma prescrição médica que alivie a dor de não encontrar a sua atuação na brincadeira de ser adulto.

Você responde que esta bem quando na verdade não está; retribui um bom dia com outro naquele momento em que gostaria de detonar uma granada no seu interlocutor, claro, a convenção social internalizou no hábito da sua mente como apropriado. Quantos orgasmos você não fingiu? quantos beijos de cinema você não encenou? quantos compromissos você assumiu e mal lembrou com quem? Muitos, e tudo por medo de ouvir o silêncio aterrorizante da revelação da verdade: "Somos desprovidos do talento para acreditar nos próprios atos da peça, que dirá criar uma cena satisfatória de alucinação coletiva".










quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Nossos Valores e Nossos Preços.

Não acredito que o mundo tenha vivido uma época sobre o total império da gentileza e da tolerância entre os homens, onde valores e preços eram conceitos distintos, vivemos hoje a era da impessoalidade nas relações humanas geradas a partir do avanço da tecnologia da comunicação, o que nos deixa cada vez mais distantes dessa utopia, nos tornando suscetíveis a encarar os nossos interlocutores como se máquinas fossem.


Sabemos que máquinas, aparelhos ou dispositivos são substituíveis com o simples descarte injustificável, e o humano foi incluído nessa agenda da sociedade de consumo num processo lento, mas já consolidado, nossos desejos e interesses com a democratização da informação e do acesso às novas tecnologias, convergem para necessidades que nos foram impostas e passaram a integrar nossos projetos, gerando uma série de frustrações quando não as atingimos.  

Atividades corriqueiras como ir a um show com os amigos ou a um restaurante com a namorada, tornaram-se secundárias e geraram um vazio de sentimentos, um verdadeiro mal-estar, pois onde antes havia a celebração e o compartilhamento das emoções reais com os pares humanos e presentes, hoje encontramos a edição das imagens e dos sentimentos para se tornarem postáveis nas redes sociais, puro exibicionismo digital para quem não esta nem ai conosco, mas isso afaga mais a nossa auto-estima do que reverenciar uma memória na intimidade dos antigos álbuns de fotografias.

Formamos opinião sobre qualquer assunto irrelevante, atacamos a todos com a arrogância do pseudo anonimato da internet, não investigamos as causas fundamentais, nossas preocupações assim como nossas ações são imediatistas, e imediato torna-se o descarte da verborragia digital que produzimos, não inovamos nenhum cenário, apenas reproduzimos o comportamento de consumo que sustenta o paradigma econômico atual, e de quebra militamos intolerância e preconceito tentando confortar as nossas mazelas humanas individualistas.












terça-feira, 4 de novembro de 2014

À Espera de Um Milagre.

O mês de outubro de 2014 foi marcado por um embate eleitoral nunca antes visto na história democrática recente do nosso país, onde a polarização da campanha entre o PT e o PSDB foi marcada pela agressividade na desconstrução dos currículos públicos entre os candidatos, e pelo inflamado apelo da militância apaixonada nas redes sociais, ambos com um discurso estrategicamente desvinculado da realidade dos números oficiais, e com o revestimento da cortina do marketing político. 

Finda a eleição, até os mais esquizofrênicos militantes serão obrigados a enfrentar as consequências dos números oficiais divulgados pelo governo quase que simultaneamente, e rezar por um milagre que recupere as contas públicas e a credibilidade do mercado com dados econômicos reais, pois a encenação do ciclo de crescimento promovida pela campanha tinha validade condicionada a confirmação do seu voto na urna eletrônica. 




Com mais um mandato confirmado para Dilma e o PT, a Petrobras anunciou em 31 de outubro um aumento de 4% para a gasolina e 8% para o diesel, assim como a ANEEL autorizou a Light a reajustar a fatura da luz em 19,23% para os consumidores do Rio de Janeiro, e 54% para a região norte. No mesmo período, o Banco Central anunciou o aumento real na taxa de juros Selic para 0,25%, o que é referencial para o mercado, e o Tesouro Nacional divulgou um deficit nas contas públicas de R$ 20,39 bilhões, isto é, mesmo com a maior carga tributária entre as economias emergentes, o governo ainda gasta mais do que arrecada, sendo o maior saldo negativo desde a implantação do Plano Real.

O desespero toma proporções catastróficas quando o IBGE divulga os números que confirmam a desaceleração  da indústria, o grande celeiro de empregos e recolhimentos de impostos, no acumulado dos últimos 9 meses, em comparação com o mesmo período de 2013, tivemos uma retração de -2,9%, o que ajuda entender o pior resultado da balança comercial desde 1998, isto é, o deficit entre o que foi exportado e importado esta na ordem de R$ 1,17 bilhões para setembro de 2014. 

Inegavelmente a má gestão do dinheiro público, o alto custo dos programas de inclusão social e de redistribuição de renda, assim como o financiamento da deficitária previdência social, corroborada com a evasão dos recursos mal empregados em obras de infraestrutura, e por fim o desvio da corrupção acabaram por concretizar o cenário atual, cuja fatura será paga pelos eleitores da Dilma e do Aécio, mas principalmente pelos 21% que se abstiveram de votar, e indiretamente confirmaram o paradigma de gestão pública implantado no Brasil nos últimos 12 anos.