Estamos impregnados pela mentira desde a concepção do feto: Quantas juras de amor eterno se dissiparam como nuvens após um resultado positivo de gravidez? Quantas crianças são içadas a órfãs paternas por suas mães ou vice-versa, com histórias embaladas nos seus ouvidos como se canções de ninar de formação ao repúdio familiar fossem? Quantas crianças possuem o pânico de dormir ou de serem abandonadas, porque os seus pais que não conseguem lhes dar limites, invetam figuras mitológicas aterrorizadoras para controlá-las numa zona de conforto sob o império do medo?
Apesar de educadores como Jean Piaget defenderem que grande parte do conhecimento e dos interesses que formaram a nossa personalidade, surgiram na interação do humano com o mundo dos sentidos, através do ato de brincar, atrevo-me a afirmar que os alicerces dessa interação são selecionados por adultos que vivem dentro de uma redoma persecutória de mentiras, um verdadeiro pega-pega, onde o custo emocional configurou uma legião de zumbis ansiosos e depressivos atrás de uma prescrição médica que alivie a dor de não encontrar a sua atuação na brincadeira de ser adulto.
Você responde que esta bem quando na verdade não está; retribui um bom dia com outro naquele momento em que gostaria de detonar uma granada no seu interlocutor, claro, a convenção social internalizou no hábito da sua mente como apropriado. Quantos orgasmos você não fingiu? quantos beijos de cinema você não encenou? quantos compromissos você assumiu e mal lembrou com quem? Muitos, e tudo por medo de ouvir o silêncio aterrorizante da revelação da verdade: "Somos desprovidos do talento para acreditar nos próprios atos da peça, que dirá criar uma cena satisfatória de alucinação coletiva".
Você responde que esta bem quando na verdade não está; retribui um bom dia com outro naquele momento em que gostaria de detonar uma granada no seu interlocutor, claro, a convenção social internalizou no hábito da sua mente como apropriado. Quantos orgasmos você não fingiu? quantos beijos de cinema você não encenou? quantos compromissos você assumiu e mal lembrou com quem? Muitos, e tudo por medo de ouvir o silêncio aterrorizante da revelação da verdade: "Somos desprovidos do talento para acreditar nos próprios atos da peça, que dirá criar uma cena satisfatória de alucinação coletiva".


