Impossível não traçar um paralelo entre o fatídico dia 08 de Julho de 2014, data em que o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo pela Alemanha, na República dos "Bananas", e o dia 15 de Março de 2015, data em que milhões de brasileiros uniformizados novamente de "bananas", foram às ruas protestar contra os seus representantes eleitos, isto a apenas dois meses no curso do novo mandato.
Em ambos os embates, os "bananas" retornaram aos seus lares desorientados, sem saber ao certo o que lhes tinham atingido, numa clara evidência que a doutrinação cultural promovida pelos instrumentos governamentais nos últimos 12 anos, começa a produzir efeitos, isto é, o senso crítico é abatido por um intenso bombardeio midiático e legislativo que anula a capacidade de dissociação das crises, com vistas a perpetuar o projeto de poder vigente.
Das bandeiras que mais revelaram a desorientação política e cultural dos nossos canarinhos circulando fora das gaiolas, certamente o pedido de intervenção militar das ruas é o mais atormentador, pois revela um cenário em que a maioria esmagadora dos cidadãos encontram-se desprovidos do mínimo de criticidade em relação às causas e aos efeitos dos eventos históricos e políticos dos últimos 30 anos, isto é, reprovamos no quesito do exercício das liberdades democráticas ao sinalizarmos a volta ao poder do autoritarismo da instituição militar, que massacrou todas os direitos e as garantias individuais e coletivas nos porões de um Estado Inquisitivo e barbarizador do seu povo, onde uma geração de mártires políticos entregaram as suas vidas para garantir o gozo do Estado de Direito atual.
Em meio à multidão, onde o amarelo da armadura confundiu-se com a palidez do movimento, outro grito, além da volta dos generais, tornou-se uníssono: o Impeachment de Dilma Rousseff.
Quando os caras pintadas de 1992 foram às ruas exigir o Impeachment do então Presidente da República, o hoje indiciado pela Operação Lava Jato Senador Fernando Collor de Mello, era de conhecimento notório da turma do Lindbergh Farias, hoje também Senador Petista investigado pela Lava Jato, as relações espúrias entre o chefe do executivo e o seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, o que deu legitimidade ao movimento de rua que culminou com a renúncia do "Caçador de Marajás".
Até o presente momento, é consenso entre os mais notórios juristas e magistrados do país, não haver base constitucional ao ingresso de um processo de Impeachment contra a Presidente da República por inexistir evidências, tão pouco provas que ela tenha cometido crimes comuns ou de responsabilidade funcional. Evidentemente, a eterna aspirante a bolchevique sabe disso, o que nós não sabemos, é que qualquer do povo pode protocolar o pedido de impeachment perante a Câmara dos Deputados, desde que instruído com as provas dos crimes cometidos, desta forma, Dilma avalia os protestos com extrema tranquilidade, pois sabe que cantarolar um estrangeirismo vocabular pelas ruas é o que faz o canarinho quando foge da gaiola e não sabe onde pousar.