segunda-feira, 2 de março de 2015

O Velório de 2015.

Não posso fazer parte do coro popular que afirma que o ano civil iniciou-se após o Carnaval, quando na verdade uma série de eventos políticos, econômicos e sociais me levam a constatação que 2015 é um natimorto que tenta sem sucesso ensaiar o seu primeiro suspiro, já com a certidão de óbito pronta. Previdente que sou, preparo-me para o inevitável: um velório dolorido e um luto intenso, a surpresa não me pega mais, pois no cenário das previsões, por menos funestas que fossem, o meu otimismo foi destruído com o resultado das eleições de 2014.

A paralisação dos profissionais de transporte rodoviário me mostrou a força atormentadora do fantasma do desabastecimento dos combustíveis e dos alimentos, com a consequente explosão do consumo, tida como muito bem vinda por muitos empresários abutres que enriquecem nas macro crises, mas revelaram também a lógica maquiavélica do protesto, onde a busca pelos direitos de uma classe em específico, justificou a agressão ao direito de ir e vir de todos os cidadãos brasileiros. 

Nenhuma paralisação ou greve como a dos caminhoneiros, me abriu tanto os olhos quanto esta, nem mesmo aquela manifestação dos jovens professores e das mestras de cabelos brancos grevistas em Curitiba que me constrangeram ao reapresentar a escola que estudei e a universidade onde gerei os meus sonhos profissionais, a décadas tratadas com o descaso político, sendo sucateadas como banheiros públicos abandonados, mas saudosismo a parte, não há boas surpresas na política educacional brasileira desde sempre.

O cenário das ressacas acumuladas pelo brasileiro no último ano é desolador: o vexame da copa do mundo e o emprego de dinheiro público desmedido no evento, a inutilidade do movimento vem pra rua frente ao resultado das urnas em 2014, a intensificação das crises em 2015: aumento das tarifas públicas de água e energia, o preço dos combustíveis em correção exponencial, os cortes nos investimentos em infraestrutura, a corrupção endêmica e a greve generalizada nos setores públicos essências serão os componentes da fatura que iremos arcar, independentemente de irmos às ruas em 15 de Março de 2015 para pedirmos o impeachment da Presidenta, preparem a coroa de flores.






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