terça-feira, 10 de novembro de 2015

Até o próximo Domingo.

Ser membro de uma mesma família, é ser obrigado de tempos em tempos, por convenção ou por simples decorrência da natureza das coisas, a celebrar algo coletivo, e entre um velório ou um almoço de domingo, ainda escolho o segundo, pois sempre haverá uma Tv, um celular, um recém nascido ou mesmo um pet pra tornar a vontade de se estar junto mais prazerosa.

Os colegas de trabalho de qualquer empresa não escapam à convenção familiar de celebrar pelo menos uma vez por ano ao redor de uma mesa, claro, nada melhor do que uma confraternização de fim ano pra não se restarem dúvidas de quem manda em quem, talvez este seja o porquê nos é permitido levar as esposas e os filhos a estes eventos.

Pessoas que possuem interesse em comum, tais como alunos de uma mesma turma, fieis de uma mesma igreja ou prostitutas de uma mesma avenida, não comungam, coexistem, não existe justiça na luta por um lugar ao sol da sobrevivência entre os iguais, pois isso é evidente competição, e numa competição por mais éticos que sejam as regras sempre haverá os valores do perdedor: à margem da rota do sucesso há uma variada turba de fracassos.   


Prefiro os encontros inusitados, acredito naquele caráter que nos torna completamente desiguais nas relações que se constroem, nas reações extremas das situações adversas nascem as virtudes, o heroísmo; a palavra comunhão não comporta atuações impositivas, mas mesmo assim, ainda prefiro o almoço de domingo.

terça-feira, 17 de março de 2015

Voa, Canarinho, voa.

Impossível não traçar um paralelo entre o fatídico dia 08 de Julho de 2014, data em que o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo pela Alemanha, na República dos "Bananas", e o dia 15 de Março de 2015, data em que milhões de brasileiros uniformizados novamente de "bananas", foram às ruas protestar contra os seus representantes eleitos, isto a apenas dois meses no curso do novo mandato.



Em ambos os embates, os "bananas" retornaram aos seus lares desorientados, sem saber ao certo o que lhes tinham atingido, numa clara evidência que a doutrinação cultural promovida pelos instrumentos governamentais nos últimos 12 anos, começa a produzir efeitos, isto é, o senso crítico é abatido por um intenso bombardeio midiático e legislativo que anula a capacidade de dissociação das crises, com vistas a perpetuar o projeto de poder vigente.

Das bandeiras que mais revelaram a desorientação política e cultural dos nossos canarinhos circulando fora das gaiolas, certamente o pedido de intervenção militar das ruas é o mais atormentador, pois revela um cenário em que a maioria esmagadora dos cidadãos encontram-se desprovidos do mínimo de criticidade em relação às causas e aos efeitos dos eventos históricos e políticos dos últimos 30 anos, isto é, reprovamos no quesito do exercício das liberdades democráticas ao sinalizarmos a volta ao poder do autoritarismo da instituição militar, que massacrou todas os direitos e as garantias individuais e coletivas nos porões de um Estado Inquisitivo e barbarizador do seu povo, onde uma geração de mártires políticos entregaram as suas vidas para garantir o gozo do Estado de Direito atual.

Em meio à multidão, onde o amarelo da armadura confundiu-se com a palidez do movimento, outro grito, além da volta dos generais, tornou-se uníssono: o Impeachment de Dilma Rousseff.

Quando os caras pintadas de 1992 foram às ruas exigir o Impeachment do então Presidente da República, o hoje indiciado pela Operação Lava Jato Senador Fernando Collor de Mello, era de conhecimento notório da turma do Lindbergh Farias, hoje também Senador Petista investigado pela Lava Jato, as relações espúrias entre o chefe do executivo e o seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, o que deu legitimidade ao movimento de rua que culminou com a renúncia do "Caçador de Marajás".

Até o presente momento, é consenso entre os mais notórios juristas e magistrados do país, não haver base constitucional ao ingresso de um processo de Impeachment contra a Presidente da República por inexistir evidências, tão pouco provas que ela tenha cometido crimes comuns ou de responsabilidade funcional. Evidentemente, a eterna aspirante a bolchevique sabe disso, o que nós não sabemos, é que qualquer do povo pode protocolar o pedido de impeachment perante a Câmara dos Deputados, desde que instruído com as provas dos crimes cometidos, desta forma, Dilma avalia os protestos com extrema tranquilidade, pois sabe que cantarolar um estrangeirismo vocabular pelas ruas é o que faz o canarinho quando foge da gaiola e não sabe onde pousar. 









segunda-feira, 2 de março de 2015

O Velório de 2015.

Não posso fazer parte do coro popular que afirma que o ano civil iniciou-se após o Carnaval, quando na verdade uma série de eventos políticos, econômicos e sociais me levam a constatação que 2015 é um natimorto que tenta sem sucesso ensaiar o seu primeiro suspiro, já com a certidão de óbito pronta. Previdente que sou, preparo-me para o inevitável: um velório dolorido e um luto intenso, a surpresa não me pega mais, pois no cenário das previsões, por menos funestas que fossem, o meu otimismo foi destruído com o resultado das eleições de 2014.

A paralisação dos profissionais de transporte rodoviário me mostrou a força atormentadora do fantasma do desabastecimento dos combustíveis e dos alimentos, com a consequente explosão do consumo, tida como muito bem vinda por muitos empresários abutres que enriquecem nas macro crises, mas revelaram também a lógica maquiavélica do protesto, onde a busca pelos direitos de uma classe em específico, justificou a agressão ao direito de ir e vir de todos os cidadãos brasileiros. 

Nenhuma paralisação ou greve como a dos caminhoneiros, me abriu tanto os olhos quanto esta, nem mesmo aquela manifestação dos jovens professores e das mestras de cabelos brancos grevistas em Curitiba que me constrangeram ao reapresentar a escola que estudei e a universidade onde gerei os meus sonhos profissionais, a décadas tratadas com o descaso político, sendo sucateadas como banheiros públicos abandonados, mas saudosismo a parte, não há boas surpresas na política educacional brasileira desde sempre.

O cenário das ressacas acumuladas pelo brasileiro no último ano é desolador: o vexame da copa do mundo e o emprego de dinheiro público desmedido no evento, a inutilidade do movimento vem pra rua frente ao resultado das urnas em 2014, a intensificação das crises em 2015: aumento das tarifas públicas de água e energia, o preço dos combustíveis em correção exponencial, os cortes nos investimentos em infraestrutura, a corrupção endêmica e a greve generalizada nos setores públicos essências serão os componentes da fatura que iremos arcar, independentemente de irmos às ruas em 15 de Março de 2015 para pedirmos o impeachment da Presidenta, preparem a coroa de flores.






segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Desejo para o Ano Novo: Aprender a Pensar!

Nada mais me intriga, ao mesmo tempo me evolui, do que observar e diferenciar o comportamento autêntico da mera reprodução das convenções sociais nas pessoas às quais convivo, e nesse sentido, nenhum terreno é mais adequado à pesquisa do que ver um conviva frente à uma situação adversa, sobretudo naquele limite que retira o homem comum da zona de conforto onde se acredita habitar, mas que via de regra acaba dimensionando o seu avanço pessoal, ou deflagrando um fracasso biográfico, que por determinismo, outros convivas são seduzidos à repetição.


Se você quer acesso irrestrito ao auto-conhecimento ou a revelação do que habita a intimidade moral do seu par romântico, rompa o seu relacionamento e as hipóteses imprevisíveis se tornarão fatos incontestáveis. Deixar alguns cheques serem devolvidos na sua conta corrente também oferecem uma boa dose de esclarecimento quanto ao que se escondia por trás do sorriso rasgado do seu gerente de contas exclusive. Tempestades e enchentes sempre serão reveladoras quando se forem: não siga o adágio, constate!

Apesar dos sociólogos insistirem o contrário, não habito ao confinamento das colônias de formigas; também não divido os atos da minha vida em papéis a serem negociados em bolsa de valores, portanto, não me conformo com o determinismo, nego a previsibilidade negativa, acredito sim, na eterna reviravolta, mesmo que nos 45 minutos do segundo tempo,  nessa vida não quero conhecer Murphy, e sempre vou abominar os argumentos pseudo-filosóficos místicos que fulminam a ação de previsibilidade objetiva.

Fugirei da sobra letárgica  do senso comum, os adágios estão mortos assim como a língua que lhes deu origem, mas rezo para não deixar de acreditar no amor que sinto e sentiram por mim, que Deus abençoe a minha contradição, Amém!











terça-feira, 18 de novembro de 2014

Vim, Vi e Menti.

Estamos impregnados pela mentira desde a concepção do feto: Quantas juras de amor eterno se dissiparam como nuvens após um resultado positivo de gravidez? Quantas crianças são içadas a órfãs paternas por suas mães ou vice-versa, com histórias embaladas nos seus ouvidos como se canções de ninar de formação ao repúdio familiar fossem? Quantas crianças possuem o pânico de dormir ou de serem abandonadas, porque os seus pais que não conseguem lhes dar limites, invetam figuras mitológicas aterrorizadoras para controlá-las numa zona de conforto sob o império do medo?


Apesar de educadores como Jean Piaget defenderem que grande parte do conhecimento e dos interesses que formaram a nossa personalidade, surgiram na interação do humano com o mundo dos sentidos, através do ato de brincar, atrevo-me a afirmar que os alicerces dessa interação são selecionados por adultos que vivem dentro de uma redoma persecutória de mentiras, um verdadeiro pega-pega, onde o custo emocional configurou uma legião de zumbis ansiosos e depressivos atrás de uma prescrição médica que alivie a dor de não encontrar a sua atuação na brincadeira de ser adulto.

Você responde que esta bem quando na verdade não está; retribui um bom dia com outro naquele momento em que gostaria de detonar uma granada no seu interlocutor, claro, a convenção social internalizou no hábito da sua mente como apropriado. Quantos orgasmos você não fingiu? quantos beijos de cinema você não encenou? quantos compromissos você assumiu e mal lembrou com quem? Muitos, e tudo por medo de ouvir o silêncio aterrorizante da revelação da verdade: "Somos desprovidos do talento para acreditar nos próprios atos da peça, que dirá criar uma cena satisfatória de alucinação coletiva".










quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Nossos Valores e Nossos Preços.

Não acredito que o mundo tenha vivido uma época sobre o total império da gentileza e da tolerância entre os homens, onde valores e preços eram conceitos distintos, vivemos hoje a era da impessoalidade nas relações humanas geradas a partir do avanço da tecnologia da comunicação, o que nos deixa cada vez mais distantes dessa utopia, nos tornando suscetíveis a encarar os nossos interlocutores como se máquinas fossem.


Sabemos que máquinas, aparelhos ou dispositivos são substituíveis com o simples descarte injustificável, e o humano foi incluído nessa agenda da sociedade de consumo num processo lento, mas já consolidado, nossos desejos e interesses com a democratização da informação e do acesso às novas tecnologias, convergem para necessidades que nos foram impostas e passaram a integrar nossos projetos, gerando uma série de frustrações quando não as atingimos.  

Atividades corriqueiras como ir a um show com os amigos ou a um restaurante com a namorada, tornaram-se secundárias e geraram um vazio de sentimentos, um verdadeiro mal-estar, pois onde antes havia a celebração e o compartilhamento das emoções reais com os pares humanos e presentes, hoje encontramos a edição das imagens e dos sentimentos para se tornarem postáveis nas redes sociais, puro exibicionismo digital para quem não esta nem ai conosco, mas isso afaga mais a nossa auto-estima do que reverenciar uma memória na intimidade dos antigos álbuns de fotografias.

Formamos opinião sobre qualquer assunto irrelevante, atacamos a todos com a arrogância do pseudo anonimato da internet, não investigamos as causas fundamentais, nossas preocupações assim como nossas ações são imediatistas, e imediato torna-se o descarte da verborragia digital que produzimos, não inovamos nenhum cenário, apenas reproduzimos o comportamento de consumo que sustenta o paradigma econômico atual, e de quebra militamos intolerância e preconceito tentando confortar as nossas mazelas humanas individualistas.












terça-feira, 4 de novembro de 2014

À Espera de Um Milagre.

O mês de outubro de 2014 foi marcado por um embate eleitoral nunca antes visto na história democrática recente do nosso país, onde a polarização da campanha entre o PT e o PSDB foi marcada pela agressividade na desconstrução dos currículos públicos entre os candidatos, e pelo inflamado apelo da militância apaixonada nas redes sociais, ambos com um discurso estrategicamente desvinculado da realidade dos números oficiais, e com o revestimento da cortina do marketing político. 

Finda a eleição, até os mais esquizofrênicos militantes serão obrigados a enfrentar as consequências dos números oficiais divulgados pelo governo quase que simultaneamente, e rezar por um milagre que recupere as contas públicas e a credibilidade do mercado com dados econômicos reais, pois a encenação do ciclo de crescimento promovida pela campanha tinha validade condicionada a confirmação do seu voto na urna eletrônica. 




Com mais um mandato confirmado para Dilma e o PT, a Petrobras anunciou em 31 de outubro um aumento de 4% para a gasolina e 8% para o diesel, assim como a ANEEL autorizou a Light a reajustar a fatura da luz em 19,23% para os consumidores do Rio de Janeiro, e 54% para a região norte. No mesmo período, o Banco Central anunciou o aumento real na taxa de juros Selic para 0,25%, o que é referencial para o mercado, e o Tesouro Nacional divulgou um deficit nas contas públicas de R$ 20,39 bilhões, isto é, mesmo com a maior carga tributária entre as economias emergentes, o governo ainda gasta mais do que arrecada, sendo o maior saldo negativo desde a implantação do Plano Real.

O desespero toma proporções catastróficas quando o IBGE divulga os números que confirmam a desaceleração  da indústria, o grande celeiro de empregos e recolhimentos de impostos, no acumulado dos últimos 9 meses, em comparação com o mesmo período de 2013, tivemos uma retração de -2,9%, o que ajuda entender o pior resultado da balança comercial desde 1998, isto é, o deficit entre o que foi exportado e importado esta na ordem de R$ 1,17 bilhões para setembro de 2014. 

Inegavelmente a má gestão do dinheiro público, o alto custo dos programas de inclusão social e de redistribuição de renda, assim como o financiamento da deficitária previdência social, corroborada com a evasão dos recursos mal empregados em obras de infraestrutura, e por fim o desvio da corrupção acabaram por concretizar o cenário atual, cuja fatura será paga pelos eleitores da Dilma e do Aécio, mas principalmente pelos 21% que se abstiveram de votar, e indiretamente confirmaram o paradigma de gestão pública implantado no Brasil nos últimos 12 anos.