terça-feira, 4 de novembro de 2014

À Espera de Um Milagre.

O mês de outubro de 2014 foi marcado por um embate eleitoral nunca antes visto na história democrática recente do nosso país, onde a polarização da campanha entre o PT e o PSDB foi marcada pela agressividade na desconstrução dos currículos públicos entre os candidatos, e pelo inflamado apelo da militância apaixonada nas redes sociais, ambos com um discurso estrategicamente desvinculado da realidade dos números oficiais, e com o revestimento da cortina do marketing político. 

Finda a eleição, até os mais esquizofrênicos militantes serão obrigados a enfrentar as consequências dos números oficiais divulgados pelo governo quase que simultaneamente, e rezar por um milagre que recupere as contas públicas e a credibilidade do mercado com dados econômicos reais, pois a encenação do ciclo de crescimento promovida pela campanha tinha validade condicionada a confirmação do seu voto na urna eletrônica. 




Com mais um mandato confirmado para Dilma e o PT, a Petrobras anunciou em 31 de outubro um aumento de 4% para a gasolina e 8% para o diesel, assim como a ANEEL autorizou a Light a reajustar a fatura da luz em 19,23% para os consumidores do Rio de Janeiro, e 54% para a região norte. No mesmo período, o Banco Central anunciou o aumento real na taxa de juros Selic para 0,25%, o que é referencial para o mercado, e o Tesouro Nacional divulgou um deficit nas contas públicas de R$ 20,39 bilhões, isto é, mesmo com a maior carga tributária entre as economias emergentes, o governo ainda gasta mais do que arrecada, sendo o maior saldo negativo desde a implantação do Plano Real.

O desespero toma proporções catastróficas quando o IBGE divulga os números que confirmam a desaceleração  da indústria, o grande celeiro de empregos e recolhimentos de impostos, no acumulado dos últimos 9 meses, em comparação com o mesmo período de 2013, tivemos uma retração de -2,9%, o que ajuda entender o pior resultado da balança comercial desde 1998, isto é, o deficit entre o que foi exportado e importado esta na ordem de R$ 1,17 bilhões para setembro de 2014. 

Inegavelmente a má gestão do dinheiro público, o alto custo dos programas de inclusão social e de redistribuição de renda, assim como o financiamento da deficitária previdência social, corroborada com a evasão dos recursos mal empregados em obras de infraestrutura, e por fim o desvio da corrupção acabaram por concretizar o cenário atual, cuja fatura será paga pelos eleitores da Dilma e do Aécio, mas principalmente pelos 21% que se abstiveram de votar, e indiretamente confirmaram o paradigma de gestão pública implantado no Brasil nos últimos 12 anos.





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