Dentre todas as fraudes institucionalizadas na Constituição Federal de 1988, nenhuma atingiu tão em cheio um número tão grande de brasileiros, quanto o engodo do Artigo 14, parágrafo 1°, inciso I da Carta Magna. Claramente, eu e mais de 51 milhões de brasileiros descobrimos ontem que o voto nunca foi OBRIGATÓRIO, pois nossos legisladores constituintes pintaram um paradigma para diferenciá-los politicamente da ditadura, mas, posteriormente, não inovaram a legislação eleitoral para cumprir o preceito da obrigatoriedade, e claro, graças a isso, a espertalhona da Dilma foi eleita mais uma vez.
De acordo com o levantamento do Tribunal Superior Eleitoral, cerca de 21% dos eleitores cadastrados e aptos a votar não compareceram às seções eleitorais de todo o país em 26 de outubro. Em tempo, a maioria dos analistas políticos, bem como os juízes eleitorais passaram a articular que a abstenção nesse percentual tão alto era um claro recado de desejo de mudança e inconformismo com a ordem política vigente
Não senhores!, ao contrário, estamos diante da oportunidade do legislador omisso emendar a constituição e acabar com a obrigatoriedade do voto, pois sabemos que as penalidades para quem descumpre o exercício democrático do sufrágio não são muito animadoras para se abandonar o sossego do lar e enfrentar os escombros das escolas públicas onde se escodem a maioria das seções eleitorais do Brasil.
Me desculpem os articulistas que não militam pela quebra do paradigma político endêmico que contaminou nosso sistema democrático, mas o único recado que consigo enxergar na abstenção é a postura catatônica e parasitaria de uma parcela da população que não recua, pois no cenário da disputa polarizada entre os dois grupos políticos (PT e PSDB) acerca de 5 eleições seguidas, essa parcela não voltará a votar mesmo, acabou-se a paixão pela política dos discursos mornos e engrupidores, e assim, tal postura passou a ser totalmente favorável a quem esta no comando, no caso o PT a cinco mandatos.
E agora a nossa mandatária, em seu primeiro discurso quer trabalhar pela reforma política, aliás, nos forçar a trabalhar por ela, pois em sua proposta pretende reformar a Constituição Federal pela iniciativa do resultado de uma consulta popular através de um plebiscito ou referendo, nos mesmos moldes que levaram Hugo Chaves e seus asseclas à ditadura constitucional vitalícia, onde a cada dia, um novo golpe fulmina a democracia raquítica da República Bolívar.
Se você faz parte do percentual de 21% daqueles que se absteram do voto, vai se tocar do seu erro em breve, e se não quiser em suas mãos um exemplar rasgado da Constituição Federal, assim como todas as garantias ali estabelecidas sufocadas, evite o golpe plebiscitário a que seremos submetidos em 2015, informe-se, fiscalize e principalmente milite pelo fortalecimento da articulação da oposição, que será a nossa última esperança de evitar uma estátua do Lula beijando a Dilma à frente dos prédios públicos brasileiros.

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