Se as manifestações pacíficas de abril a julho de 2013, assim como as invasões e as depredações dos bens públicos no mesmo período não eram por conta dos "20 centavos", com certeza foram por uma #selfie bacana postada nas redes sociais, o que acabou se tornando a única herança do movimento, pois se fosse por ética e mudança política, os resultados das urnas de 2014 não seriam diferentes?
O brasileiro não deve se surpreender quando a imprensa internacional noticia que somos um país folclórico movido o ano inteiro pela espera do Carnaval, enquanto isso acompanhamos os campeonatos de Futebol pela tv na companhia de uma latinha de Cerveja.
Sim, devemos assumir que os fatores que mantem a ordem e a fidelidade ao governo são os mesmos de dois milênios atrás, quando a população romana era escravizada pela política do pão e circo dos imperadores perversos, mesmo quando acotovelavam-se em meio a miséria endêmica da periferia.
A política do pão e circo é o mecanismo de mordaça da população enterrada em miséria, mas a convivência entre elas é terminal, o que vale dizer, que inevitavelmente num dado momento o terreno torna-se fértil para uma explosão de movimentos sociais que dissiparão o paradigma vigente, às vezes o substituindo por um modelo ainda pior.
Melhor então mesmo, que o movimento "vem pra rua" fosse incluído no calendário festivo folclórico nacional, não fosse claro, a devastadora velocidade com que se dispersam a maioria dos modismos comportamentais criados pelas inúmeras redes sociais, que ainda não agregam a comunhão de ideias gestacionadas pela web.

Realmente o movimento que idealizou mudanças em nada refletiu nas urnas. Com a arma nas mãos, as pessoas atiraram em seus próprios, apoiando agentes da mesma crêndice, mesma asneira, nada do novo. Foi um ser complascente com o que não está certo, e assim está bom. Ainda acho que essa cova abaixo dos pés é resultado da obrigatoriedade do voto, mas daí já é outra conversa...
ResponderExcluirConcordo, não devia mais ser obrigatório, ai eu queria ver o bicho pegar de verdade.
Excluir